Política SETOR CULTURAL

Com vídeo de IA, Márcio Corrêa sugere mudança radical no Palácio da Cultura e gera revolta

Vídeo produzido com inteligência artificial apresenta projeto de revitalização do edifício projetado por Gladson da Rocha; internautas criticam risco de descaracterização e cobram atenção à política cultural do município

19/10/2026 11h03
Por: Redação
Foto: Paulo de Tarso
Foto: Paulo de Tarso

Uma proposta de revitalização do Palácio da Cultura, em Anápolis, prevê alterações na fachada do edifício projetado pelo arquiteto Gladson da Rocha. Apresentada pelo prefeito Márcio Corrêa (PL) em um vídeo produzido com inteligência artificial, a ideia provocou críticas nas redes sociais pelo risco de descaracterização de elementos que marcam a arquitetura do prédio.

Os pilares curvos, característica marcante da construção, estão entre os principais pontos de contestação. “Revitalizar não deveria significar apagar a história. Destruir uma fachada tão cheia de identidade para substituí-la por algo tão impessoal e sem vida é muito mais do que uma mudança arquitetônica: é apagar parte da memória afetiva de uma cidade”, escreveu um usuário. “Os pilares desse prédio é um dos símbolos de Anápolis, deveriam ser preservados”, defendeu outro internauta.

O Palácio da Cultura foi projetado por Gladson da Rocha, arquiteto que integrou a equipe de Oscar Niemeyer no Departamento de Urbanismo e Arquitetura da Novacap, responsável pela construção de Brasília. Em Anápolis, o edifício faz parte de uma paisagem urbana marcada por referências modernistas e brutalistas, ao lado de construções como o Fórum e o Ginásio Internacional Newton de Faria.

O imóvel não possui proteção por tombamento. A discussão sobre o futuro do espaço também remete à demolição do antigo Palácio de Santana, em 2022, após anos de problemas relacionados à construção de uma nova sede para a Câmara Municipal.

Ao divulgar a proposta, Márcio Corrêa classificou o projeto como “extraordinário” e disse que ele “tem tudo para se tornar um dos mais belos equipamentos culturais do Brasil!”. O prefeito também prometeu discutir a iniciativa com “quem vive e faz a cultura da nossa cidade”.

Em resposta ao jornal O Popular, Corrêa informou que a proposta ainda é inicial e que pretende ouvir o Conselho Municipal de Cultura antes de avançar no detalhamento. “Queremos construir uma proposta com a participação de quem vive e faz cultura em nossa cidade, respeitando também as questões técnicas e patrimoniais”, declarou.

De acordo com o prefeito, as intervenções definitivas, os valores de investimento e os procedimentos licitatórios serão definidos após o planejamento e as avaliações necessárias.

Setor insatisfeito

Parte dos comentários também relacionou a proposta às condições das escolas municipais de formação artística. “Engraçado que não tem aula na escola de dança nem na escola de teatro há meses. E desde o início deste ano a escola de dança está largada, sem lugar decente. Inclusive nem espetáculo de fim de ano vai ter. Não tem como dizer que está apoiando a cultura, se está acabando com ela”, escreveu um usuário.

Em agosto, estudantes da Escola de Dança Maurício Salles já haviam mobilizado o Conselho Municipal de Cultura para defender a continuidade das aulas de Dança Contemporânea. Na ocasião, a turma reunia cerca de 50 alunos, enquanto aproximadamente 120 pessoas aguardavam vaga, conforme dados apresentados na reunião.

Outro caso envolve a Escola de Teatro de Anápolis Elídia Simonetti, que encerrou a turma de sábado à tarde no início deste ano, após um pedido de licença da professora Ana Queiroz. Alunos protestaram pela manutenção das aulas, mas a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo não conseguiu reverter a decisão. Entre os problemas apontados estava a falta de um vigia para o espaço.

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