A derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial abre espaço para que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) ampliem sua influência na oposição ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na avaliação de dirigentes partidários e integrantes da oposição, os dois reúnem condições de aproximar grupos da direita e da centro-direita.
A construção dessa liderança, segundo interlocutores políticos, começou antes da disputa eleitoral, após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma trama golpista. Com a derrota do enteado e a prisão do marido, Michelle também passa a ter espaço para desenvolver uma atuação política própria, menos vinculada à trajetória do ex-presidente.
Tarcísio, por sua vez, seguirá à frente do governo paulista por mais quatro anos. O comando do maior estado brasileiro e a proximidade com lideranças de partidos como União Brasil, PP, PSD e Republicanos são apontados como fatores que podem favorecer sua articulação nacional.
O resultado das urnas também altera o cenário para Flávio, que ficará sem mandato após a derrota. Entre lideranças da oposição, a avaliação é que o senador sai enfraquecido da disputa e poderá enfrentar dificuldades para preservar a rede de apoios construída durante a campanha. Com 99,97% das urnas apuradas, Lula recebeu 51,79% dos votos, ante 48,21% do candidato do PL.
Apesar do revés presidencial, o partido de Flávio mantém presença expressiva no Legislativo. O PL conquistou a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 parlamentares, e chegou a 28 senadores, mais de um terço das cadeiras da Casa.
A ausência de um sucessor político definido para Lula e a impossibilidade de o presidente disputar um novo mandato também podem influenciar as articulações da oposição para a próxima eleição presidencial.
Relação com Flávio
Os movimentos de Tarcísio e Michelle durante a campanha alimentaram as discussões sobre o espaço de cada um na direita. Nenhum dos dois acompanhou Flávio no pronunciamento em que ele contestou o resultado eleitoral e declarou não reconhecer a vitória de Lula.
Michelle protagonizou um atrito com o enteado no início da campanha, quando publicou um vídeo em que o criticou e o acusou de não respeitá-la como liderança política. Os dois se reaproximaram posteriormente, mas ela não participou de eventos de campanha ao lado dele nem se envolveu publicamente de forma explícita na disputa.
Tarcísio teve participação mais ativa no segundo turno, embora tenha mantido distância de Flávio na primeira etapa da eleição. Naquele período, aliados do senador chegaram a apontar falta de empenho do governador na campanha.
Mesmo com a possibilidade de maior protagonismo, Tarcísio e Michelle terão de considerar a influência de Jair Bolsonaro sobre o eleitorado oposicionista. O alinhamento com o ex-presidente permanece como um dos fatores relevantes para a reorganização política da direita após a eleição.
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