Política ELEIÇÕES

Abstenção no segundo turno de 2026 é a menor em 20 anos

Comparecimento às urnas cresceu 2,36% em relação à primeira etapa, com quase 3 milhões de eleitores a mais

26/10/2026 07h23
Por: Redação
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 registrou a menor taxa de abstenção em disputas presidenciais desde 2006. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o percentual de eleitores que deixaram de votar recuou de 21,08% no primeiro turno para 19,22% no segundo, uma queda de 1,86 ponto percentual.

A mudança representa uma inversão do comportamento observado em boa parte das eleições presidenciais anteriores, quando a ausência de eleitores aumentou na segunda etapa da votação. Neste ano, aproximadamente 30,5 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no segundo turno, ante 33,4 milhões no primeiro.

O número de votantes passou de 125,3 milhões para 128,2 milhões, o que corresponde a um crescimento de 2,36% no comparecimento. Ao todo, quase 3 milhões de eleitores a mais participaram da votação decisiva.

A redução da abstenção ocorreu em meio a uma mobilização do PT para ampliar a participação eleitoral. Diminuir o número de eleitores ausentes foi uma das prioridades da campanha vitoriosa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que procurou estimular o voto de pessoas que não haviam comparecido no primeiro turno.

Histórico

A evolução dos índices nas últimas eleições presidenciais evidencia a particularidade do resultado de 2026. Em 2002, a abstenção passou de 17,74% no primeiro turno para 20,47% no segundo, uma elevação de 2,73 pontos percentuais. Quatro anos depois, o indicador subiu de 16,75% para 18,99%, acréscimo de 2,24 pontos.

Em 2010, a diferença entre as duas etapas foi ainda maior. A taxa de ausência avançou de 18,12% para 21,50%, alta de 3,38 pontos percentuais, a maior variação registrada na série apresentada. Em 2014, o percentual passou de 19,39% para 21,10%; em 2018, aumentou de 20,33% para 21,30%.

A trajetória começou a apresentar uma mudança em 2022. Naquele ano, a abstenção recuou de 20,95% no primeiro turno para 20,58% no segundo, uma redução de 0,37 ponto percentual. A diferença correspondeu ao comparecimento de 570 mil eleitores a mais na votação final.

Em 1998, não houve segundo turno na eleição presidencial. Desde então, as disputas com duas etapas foram marcadas predominantemente pelo aumento da ausência de votantes entre uma votação e outra, cenário que não se repetiu em 2026.

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