A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre a abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico ganhou novos desdobramentos na noite de quarta-feira (21). Mesmo após Lula aceitar as condições apresentadas inicialmente pelo adversário, o senador ampliou a lista de exigências para autorizar a divulgação de seus próprios dados.
Em petição apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio condicionou a abertura de seus sigilos à divulgação de informações financeiras e administrativas relacionadas ao presidente, a familiares e a pessoas próximas ao governo. O senador autorizou a exposição de dados referentes aos últimos 20 anos, mas pediu que a medida também alcance registros de instituições, assessores e despesas da Presidência.
Entre as novas solicitações estão a divulgação das movimentações financeiras do Instituto Lula desde sua fundação, além de mensagens, registros de ligações, extratos bancários e faturas de cartões de crédito de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
A lista também inclui a divulgação integral dos gastos com cartões corporativos da Presidência da República, incluindo despesas atribuídas à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Flávio pede ainda acesso aos registros de visitantes do Palácio do Planalto e às entradas no Palácio da Alvorada que permanecem sob sigilo.
Outro ponto envolve informações sobre uma reunião entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, realizada em 4 de dezembro de 2024. O senador também solicitou dados sobre relações da empresária Roberta Luchsinger com o governo, incluindo registros de acesso aos palácios presidenciais e viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
As exigências alcançam ainda o sindicalista José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e irmão do presidente. Flávio pede a abertura de seus sigilos, além de informações relacionadas à empresária Roberta Luchsinger e a pessoas ligadas ao governo.
O presidente Lula aceitou as condições apresentadas pelo adversário, segundo o coordenador político de sua campanha, Camilo Santana. A previsão é que o petista compareça ao TSE nesta quinta-feira (22), para formalizar a autorização. Lula também convidou Flávio a apresentar, no mesmo momento, a liberação de seus próprios dados.
A controvérsia começou no debate presidencial da TV Band, realizado no domingo (18), quando Lula desafiou o senador a autorizar a divulgação de seus sigilos. Na terça-feira (20), o presidente apresentou à Justiça Eleitoral uma autorização para a abertura de seus dados e de informações de familiares, condicionada à adoção de medida equivalente pelo adversário.
Na quarta-feira (21), Flávio protocolou uma petição autorizando a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, mas vinculou a medida ao atendimento das exigências relacionadas a Lula e pessoas próximas ao presidente.
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