Goiás SAÚDE

Goiás avança no tratamento de bebês com cardiopatia, mas ainda enfrenta desafios

Sociedade Goiana de Pediatria chama a atenção sobre necessidade de recursos para tratar a doença na rede pública

12/06/2024 18h00
Por: Emilly Viana
Foto: Reprodução / Governo Federal
Foto: Reprodução / Governo Federal

No Brasil, a cardiopatia congênita, isto é, qualquer anormalidade na estrutura ou função do coração que surge nas primeiras oito semanas de gestação, é uma realidade para um a cada 100 bebês nascidos vivos, o que significa que nascem cerca de 29.800 crianças com essa condição por ano, segundo o Ministério da Saúde.

Em Goiás, não existe um registro centralizado do número de casos de cardiopatia congênita. No entanto, algumas iniciativas dão uma ideia da situação. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Cardiologia Pediátrica analisou dados de nascimentos em Goiânia entre 2006 e 2015 e identificou uma prevalência de cardiopatia congênita de 0,57% entre os nascidos vivos. Isso significa que, naquele período, a cada 10 mil nascimentos em Goiânia, cerca de 57 crianças nasceram com a condição. 

Coordenadora do departamento de Cardiologia Pediátrica da Sociedade Goiana de Pediatria (SGP), Mirna de Sousa explica que, embora os dados mais atuais e precisos sobre a incidência de cardiopatia congênita em Goiás sejam limitados, é evidente que o problema afeta um número significativo de crianças no estado. 

“Os números de 2015, encontrados em Goiânia, com a metade do previsto, mostram que muitos diagnósticos ainda não eram feitos. Isso melhorou nos últimos anos. Agora, os maiores problemas são em relação a conseguir tratamento adequado em tempo certo e seguimento ambulatorial para quem precisa”, destaca.

Estima-se que 80% de bebês nascidos com cardiopatia congênita precisarão de algum tipo de intervenção em algum momento da vida, e 25% no primeiro ano. A representante da SGP explica que a entidade tem realizado, ano a ano, um intenso trabalho no sentido de cobrar das autoridades públicas mais investimentos para melhorar o atendimento público na área. 

Segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular Infantil (SBCCI), dos 30 mil bebês nascidos com cardiopatia congênita, apenas 11 mil recebem assistência. “Essa é uma realidade que precisa ser mudada e, com ajuda da gestão estadual e municipal, teremos condições de alterar esse cenário”, pontua Mirna.

Em agosto de 2023, o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) realizou, pela primeira vez no estado via SUS, um procedimento hemodinâmico em um bebê prematuro com cardiopatia congênita. Esse marco demonstra o avanço na assistência a esses pacientes em Goiás, mas também indica a necessidade de mais investimentos na área.

Em 2022, a Alego (Assembleia Legislativa de Goiás) aprovou o Estatuto da Pessoa com Cardiopatia Congênita. A lei visa garantir os direitos básicos dos cardiopatas, como acesso à saúde, educação e inclusão social.

Ação para conscientizar

Para destacar a importância dessa parcela da população de nascidos, será realizada, pela Associação Amigos do Coração de Goiás com o apoio da SGP (Sociedade Goiana de Pediatria), no próximo domingo (16), no Parque Vaca Brava, em Goiânia, um evento com ações voltadas para a troca de informações e experiências sobre o problema que afeta esses bebês, em alusão ao Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, instituído no dia 12 de junho.

“Nossa intenção é mostrar às autoridades públicas a necessidade de mais investimentos na saúde, especialmente para nossas crianças que sofrem com a cardiopatia e necessitam do respaldo do SUS”, ressalta a médica Mirna de Souza.

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