Goiás RECONHECIMENTO

Aluna da UFG ganha prêmio internacional por pesquisa que substitui testes em animais

Mestranda, Lauren Dalat foi premiada em Londres por desenvolver uma plataforma inovadora que utiliza células-tronco humanas em testes de cosméticos

05/06/2024 18h00
Por: Emilly Viana
Foto: Divulgação
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A mestranda Lauren Dalat, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Goiás (UFG), recebeu o Prêmio Lush 2024 na categoria Jovem Pesquisador. A premiação ocorreu em Londres, no dia 21 de maio, e reconhece iniciativas voltadas para a eliminação ou substituição do uso de animais em testes laboratoriais.

O projeto de Lauren, intitulado "Plataforma multiórgãos em chip para triagem de teratogenicidade humana de cosméticos", destacou-se entre outras 14 pesquisas internacionais. O estudo já havia sido reconhecido anteriormente no I Congresso Brasileiro de Métodos Alternativos ao Uso de Animais na Pesquisa e no Ensino (CBMAlt).

Os resultados do projeto indicam o uso promissor de células-tronco humanas no desenvolvimento de novas abordagens metodológicas (NAMs) para identificar compostos teratogênicos, substâncias que podem causar malformações congênitas em embriões ou fetos. As descobertas representam um avanço significativo na substituição de testes em animais.

A inovação apresentada incorpora um sistema microfisiológico que combina um modelo de pele 3D reconstruído com componentes derivados de células-tronco dentárias. O sistema permite investigar os efeitos teratogênicos de cosméticos aplicados diretamente na pele, simulando condições mais realistas. 

Lauren destacou que o modelo pode preencher a lacuna existente no Brasil por métodos in vitro para avaliar a teratogenicidade em produtos cosméticos, citando a metodologia atual como "laboriosa, cara, eticamente questionável e potencialmente imprecisa".

O projeto premiado é a base para a etapa de doutorado de Lauren. "A finalidade é desenvolver um modelo mais realista, considerando o cenário de exposição, para avaliar o desenvolvimento mesenquimal precoce humano usando um sistema fisiologicamente relevante. O plano é associá-lo à pele humana, que é a principal via de exposição aos cosméticos", explicou Lauren.

A mestranda, de 25 anos, expressou orgulho por representar pesquisadoras latino-americanas e incentivar jovens na pesquisa. "Quero dizer que a ciência é para vocês, tanto no Brasil como no exterior. Mantenham seus sonhos vivos até que eles se tornem realidade", afirmou em suas redes sociais.

O Prêmio Lush 2024 reconheceu 14 projetos, organizações e cientistas de nove países, distribuindo 250 mil libras esterlinas. Lauren recebeu aproximadamente R$ 66 mil, destinados a subsidiar a continuidade de estudos ou projetos que contribuam para o fim dos testes em animais.

Histórico de vencedores

Essa não é a primeira vez que um pesquisador da UFG ganha na categoria. Em 2022, Artur Christian Garcia da Silva foi premiado por estudos com o modelo lung-on-a-chip, e em 2017, Renato Ivan foi reconhecido por uma plataforma para avaliação do potencial alergênico de misturas, com ênfase em produtos naturais de tintura capilar. 

Todos os premiados passaram pelo Laboratório de Ensino e Pesquisa em Toxicologia In Vitro (Tox In), no Centro de Pesquisas LIFE da UFG, coordenado pela professora Marize Campos Valadares. Em 2018, o Tox In venceu a categoria Treinamento e Educação do Prêmio Lush com um projeto de disseminação de métodos alternativos na América do Sul.

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