Justiça ESTELIONATO

Golpes têm perfis variados e são cada vez mais frequentes

Em um único dia, Polícia Civil registra pelo menos cinco tipos diferentes de métodos para tirar dinheiro de vítimas

10/05/2024 09h36 Atualizada há 2 meses
Por: Marcos Vieira
Dados da Federação Brasileira de Bancos mostram que três em cada dez brasileiros já foram vítimas de golpe ou tentativa de golpe. Foto: Reprodução
Dados da Federação Brasileira de Bancos mostram que três em cada dez brasileiros já foram vítimas de golpe ou tentativa de golpe. Foto: Reprodução

Apesar de toda a informação disponível atualmente, os casos de estelionato são frequentes em Anápolis. As autoridades tem ciência de que os números são bem maiores do que aqueles que chegam às delegacias. Isso porque nem todo mundo que é vítima acaba registrando a ocorrência, em parte porque não acredita que possa recuperar o dinheiro ou simplesmente por vergonha por ter caído em um golpe.

Em Anápolis, a cada dia são registrados muitos casos de golpes. É interessante observar a diversidade dos crimes. A reportagem teve acesso a boletins de ocorrência lavrados somente na terça-feira, dia 7.

Em um dos crimes, na região central, o golpista se passou por um funcionário do Boticário e disse à vítima que ela teria que pagar uma taxa de R$ 4 para receber uma encomenda em casa. O criminoso então se utilizou de uma máquina de cartão para efetuar o débito, mas disse que o equipamento estava defeituoso. Na sequência, pegou outra máquina e passou novamente o cartão, alegando novo defeito. Por fim, passou uma terceira máquina que também teria dado defeito. 

O golpista então disse que mandaria um motoboy para passar a máquina novamente. O golpe estava consolidado. Depois que o falso funcionário do Boticário foi embora, a vítima resolveu ligar no banco em que é correntista e descobriu que na primeira vez que o cartão foi passado debitaram R$ 4,5 mil da sua conta. Na segunda vez foi R$ 1,5 mil. O visor do equipamento estava adulterado e não mostrou os valores colocados pelo golpista. 

Em outra ocorrência de estelionato, na Vila São Joaquim, a vítima disse à Polícia Civil que fizeram três empréstimos em seu nome sem que ela soubesse: R$ 6 mil no banco Santander, R$ 10 mil no Bradesco e R$ 9 mil no Itaú. A mulher não soube explicar de que maneira o criminoso agiu para aplicar o golpe.

No Bairro São João, uma mulher fez uma compra online possivelmente de um site criado para aplicar golpes. Nesse caso, os valores dos produtos, mais baixos, devem ter servido de isca para que ela caísse no golpe. Ao comprar no site adulterado, ela recebeu uma mensagem de outra compra de R$ 940 em seu nome, considerada suspeita, e que deveria ligar em determinado telefone.

Ao ligar no número, a vítima foi informada que havia vários PIXs agendados em seu nome e que só com depósitos de valores em dinheiro era possível cancelar essas transações. A mulher então fez três transferências, mediante códigos de barra, para uma conta Pessoa Jurídica nos valores de R$ 249,99, R$ 248,98 e R$ 249,97. Era golpe, claro. 

A polícia também atendeu ocorrência de uma tentativa de golpe em uma loja de equipamentos para pesca. A fraude começou com uma compra online e um motorista de veículo por aplicativo indo até o estabelecimento para pegar os equipamentos, no valor total de R$ 5 mil. Ao perceber que havia caído em um golpe, o dono acionou a polícia, que alcançou o veículo antes da praça de pedágio da BR-060, sentido Goiânia, e recuperou o material. O motorista alegou que só estava fazendo uma corrida para um terceiro e que não o conhecia. 

Também foi registrado na Polícia Civil outro golpe, dessa vez com a vítima moradora do Jardim Europa. A pessoa disse que estava mexendo no celular quando recebeu uma mensagem de que havia enviado um PIX de R$ 7.984,32 para um homem. A pessoa alegou que no momento não estava mexendo no aplicativo do seu banco, mas que de fato o dinheiro foi debitado da sua conta. 

 

PESQUISA

Uma pesquisa da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mostra que três em cada dez brasileiros já foram vítimas de golpe ou tentativa de golpe. Com as transações financeiras cada vez mais acontecendo no mundo virtual, a tendência é que esses números cresçam.

Todo golpe é precedido de uma história e geralmente a vítima acaba se identificando com a narrativa de alguma forma. Em muitos casos, a pessoa acredita em um golpe por se relacionar a uma fraqueza pessoal, a um desejo, ou até a uma vontade de tirar vantagem daquela situação. Essa última hipótese é a mais comum: um produto muito barato, um prêmio inusitado, a promessa de ganhar algo sem o menor esforço.

O golpista também gera na vítima a sensação de medo de perder uma grande chance. Especialistas contam que existe um fenômeno chamado Fomo, que em português quer dizer “medo de perder oportunidades”. A pessoa acaba se convencendo pelo medo de desperdiçar uma chance de se dar bem, enquanto outros estão aproveitando. Nesse caso, a vítima prefere tentar a sorte a correr o risco de ficar para trás.

 

Como saber se uma proposta é golpe?

O Nubank, instituição financeira que atua exclusivamente no mundo digital, divulga uma cartilha com dicas sobre golpes. Veja a seguir quatro pontos.

 

Parece bom demais para ser verdade

Tudo bem, coisas boas acontecem. Mas será que uma proposta incrível de um investimento que dobra de valor em pouco tempo é verdadeira? Ou, então, aquela mensagem prometendo um cartão de crédito com limite alto para negativados? Por isso, na dúvida, é importante ligar o "desconfiômetro" e tentar entender mais sobre aquilo que estão te oferecendo. Muitos esquemas fraudulentos surgem de propostas que parecem boas, mas que, na verdade, só vão te prejudicar.

 

Tudo é urgente

Outro artifício usado é o senso de urgência. E isso funciona em diversos contextos: dos anúncios falsos de produtos na internet até aquela mensagem de um conhecido pedindo dinheiro pelo Whatsapp. Pessoas com pressa tendem a agir no impulso e podem tomar decisões precipitadas. Imagine que já faz um bom tempo que você está procurando uma geladeira para comprar. Navegando por alguma rede social, você vê esse produto por menos da metade do preço que andou pesquisando. O anúncio diz que a oferta é válida somente para compras feitas em até dez minutos. Bom negócio, certo? Mas será que o site é confiável? Antes mesmo de clicar no link que aparece nessa rede social, vá até o seu navegador e busque pela loja. Se ela existir de fato, entre no site para entender se essa promoção é mesmo real. Vale também ter cuidado com o pagamento e checar as informações da conta que receberá aquele valor.

 

Pede informações desnecessárias

Por que o seu banco te ligaria para pedir a senha do seu cartão? Senhas – seja a do cartão de crédito, a do seu e-mail, aplicativo ou qualquer outra conta que você tenha – são pessoais, e você não deve compartilhá-las com mais ninguém. Isso também vale para os seus dados. Desconfie de contatos que peçam informações demais sobre você. No caso de mensagens e e-mails, fique atento ao remetente e confira se quem enviou é de confiança.

 

Obriga a baixar um arquivo

Cuidado ao clicar em links que te redirecionam para uma página de downloads. Existem softwares maliciosos que podem roubar os seus dados, então é preciso estar alerta ao baixar arquivos.

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